Sexta, 24 de março de 2017

(Os 14,2-10; Sl 80[81]; Mc 12,28-34) 
3ª Semana da Quaresma.

Ao Senhor que tem cuidado de todos os seus passos, Israel é convidado a retornar. “Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor!” (Os 14,10). Da reflexão do salmista brota essa oração que dá voz ao desejo do próprio Deus: “Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos!” (cf. Sl 80[81]). Ao escriba que lhe pergunta sobre o mandamento mais importante, Jesus responde lembrando a primeira atitude que confere importância ao que será dito: “Ouve, ó Israel!”. Somos todos devedores dessa escuta. Só ela nos permite compreender a dinâmica desse amor a Deus que atravessa o amor ao próximo como se fosse um único mandamento.


 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quinta, 23 de março de 2017

(Jr 7,23-28; Sl 94[95]; Lc 11,14-23)
3ª Semana da Quaresma.

Jeremias reclama da incapacidade do povo de ouvir a palavra do Senhor: “Mas eles não ouviram e não prestaram atenção; ao contrário, seguindo as más inclinações do coração, andaram para trás e não para frente...” (Jr 7,24). O salmo 94 complementa essa incapacidade fazendo memória daquele episódio do deserto que escutamos nesse domingo: “Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras”. Além de não escutar se reclama de Deus. A escuta predispõe para a fé e a confiança. A falta de escuta nos faz perder a globalidade dos fatos da vida e perceber o quanto Deus tem caminhado e se envolvido com a nossa existência. Assim, alguns que vêm Jesus expulsar demônios, mas não escutaram suas palavras nem conhecem as suas obras são capazes de destorcer o sentido de sua ação. Cuidado com a tentação da ‘leitura’ isolada dos acontecimentos. Ela carrega consigo um sentimento de ingratidão, de não reconhecimento.


 Pe. João Bosco Vieira Leite

Quarta, 22 de março de 2017

(Dt 4,1.5-9; Sl 147[147B]; Mt 5,17-19) 
3ª Semana da Quaresma.

“Vós os guardareis, pois, e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos,...” (Dt 4,6). Moisés proclama uma segunda vez a lei que Deus havia dado ao seu povo, nela se encontra a luz que dá ao povo um modo diferenciado de proceder, mas esse deixar-se conduzir pela lei do Senhor vem também de tudo que o povo já experimentou ao longo do caminho, há uma obediência que nasce da certeza de que Deus quer o nosso bem, não a lei pela lei. Lido assim, o texto do evangelho, fora do seu contexto mais amplo, parece uma simples defesa da lei, mas Jesus veio mostrar que ela pode ser vivida de um modo mais amplo e não literalmente, obrigando-nos a pensar sobre seu conteúdo. “Anuncia a Jacó sua palavra, seus preceitos e suas leis a Israel. Nenhum povo recebeu tanto carinho, a nenhum outro revelou os seus preceitos” (cf. Sl 147).


 Pe. João Bosco Vieira Leite